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Pó da Terra

Que levanta atrás de...
Nosso caminho pontilhado de estrelas...
a vida que passa bem depressa,
e depressa TUDO passa ...
Nossa memória é pequena mas as lembranças são eternas ...
Sinto o passado,absorvo o presente,
espero merecer o futuro...



saudades...

quando criança eu brincava na rua,na calçada,no campinho de futebol,na vizinha Izildinha, no vizinho Valdirzinho , visitava as primas, os primos das primas...
os primos do vizinho,brincava nos fundos do Museu do Ipiranga...e por aí vão as lembranças da infância !

hoje nosso contato é via e-mail, orkut,facebook,blog e outros sites de relacionamento,mas que saudade de colher manga no pé ...
a crônica abaixo recebi via e-mail e está fazendo sucesso !

abaixo eu ( sim a pernalta !) meu irmão,primos Girlane e Alexandre, e um monte de manga na mão !










Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos.

Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Prá que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenavam. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

– Vamos marcar uma saída!.. – Ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas. Prá que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

Que saudade do Compadre e da Comadre !


Crônica de José Antônio Oliveira de Resende

8 comentários:

  1. Querida! amei a foto da infancia, e adorei a crônica........ dificil não ter saudade desses tempos, mais lentos, com mais abraços, mais encontros. Acho uma sorte ter vivido momentos assim, e tb acho uma chatice as dificuldades de hoje: tudo ficou tão complexo ne??
    Mas a minha casa continua uma bagunça e aberta como as de antigamente, então apareça, mesmo!!! beijo grande
    Ivana

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  2. Oi Bety, que crônica maravilhosa, eu vivi minha infância nos anos 90, mas mesmo assim, íamos visitar sem antes ter que ver agenda dos amigos, ou tocar campainha ou interfone para ver os amigos, dar banho no cachorro com mangueira e sabão em pedra, e até hoje (com 21) eu ainda gosto de subir no pé de goiaba que tem no fundo de casa para comer goiabas por lá, infelizmente não temos mais o pé de manga... Sinto saudades da minha infância, assim como você!!!
    Beijos**
    Aninha Lemke

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  3. Minha amiga querida!!! Amei a foto de infancia, d+++ essa crônica!!! Mas é verdade!! Tempos muito bons!! Mesmo aqui no interior esses momentos, já não existem mais...Más ''Deus nos deu uma dádiva maravilhosa!!! Que não se apaga com os anos!! O dom de reviver momentos preciosos, no tesouro de lembranças que grardamos, aliviando a dor no coração!!!! Um beijo bem grande!!! Adoro você!!!!

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  4. Betty essa semana mesmo me bateu uma baita saudade vc sabe??!! e fiquei um bom tempo olhando pela janela enquanto chovia, e por um instante lembrei que a minha mãe ficava na janela me esperando chegar das domingueiras , vc lembra disso??? que engraçado que nesse momento desencadeou lembranças e deu um nó na gargante que coisa !!! linda crônica querida amiga beijos muitos..... te gosto bastante...

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  5. Oi Bety, tudo bem?
    Adorei o post, que nostalgia gostosa de tempos que já passaram...realmente as coisas mudaram muito mesmo. Eu também sinto muita saudades do tempo que brincava na rua, morava em uma casa e passava o dia inteiro me divertindo em uma ruazinha bem tranquila, com todos os amigos e vizinhos, nada de condomínios fechados e cheios de segurança. Era amarelinha, esconde esconde, pega pega e ficar sentadinha no muro conversando com os outros por "telefones" de barbante e copinhos de iogurte.
    Também gostei bastante da foto!

    Um grande beijo!

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  6. Querida, BB,crescer no interior, é um privilégio, e a vida me deu este privilégio. A crônica me remeteu a tudo que vivi. Adorei, parabéns. Beijo
    Ah! que foto mais linda.....

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  7. BB! q saudades da minha infância! é o descritivo desse tempo maravilhoso q não volta mais! adoro essa nostalgia toda, serve de alimento p a alma! como vc escreve bem minha amiga! amei! bjao!

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  8. Nossa Bety... que saudades me deu agora... que crônica linda...!!!
    Amei sua foto.
    Bjos.

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